
A Mercedes-Benz confirma testes com caminhões a gás no Brasil. Tradicionalmente focada em soluções elétricas, de hidrogênio e biodiesel para reduzir emissões em seus veículos comerciais, a Mercedes-Benz começa a dar sinais de mudança de rota no Brasil. Pela primeira vez, a fabricante confirma que já realiza testes com caminhões movidos a gás natural e biometano no País.
A revelação foi feita ontem (17/09) pelo Vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças e Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, Jefferson Ferrarez. Ele explicou que a empresa não pode mais ficar fora dessa alternativa. “O mercado tem puxado cada vez mais a discussão e se aberto cada vez mais para o gás. Então nós estamos, sim, desenvolvendo soluções para também oferecer essa possibilidade dentro do nosso portfólio, em segmentos específicos para os nossos clientes”, afirmou.
Fase de avaliação
Segundo o executivo, protótipos já estão em fase de avaliação pela engenharia da marca no Brasil. A decisão de avançar com o desenvolvimento foi impulsionada tanto pelo programa Combustível do Futuro, que prevê incentivos ao uso de energias limpas, quanto pelo avanço da infraestrutura de abastecimento no País. Empresas do setor projetam crescimento de até seis vezes na oferta de biometano até 2030.
Ferrarez pondera, no entanto, que a viabilidade depende do TCO (Custo Total de Propriedade). “Não é só a conta inicial da aquisição. É preciso avaliar todo o ciclo de uso e o pós-venda. Mas os fornecedores de gás estão aprimorando seus produtos, e os estudos mostram que em pouco tempo a conta vai fechar, tornando o gás uma opção viável”, disse.
Os primeiros modelos a gás da Mercedes-Benz no Brasil deverão atender segmentos vocacionais, como a colheita de cana-de-açúcar e a coleta de resíduos urbanos, onde a logística de abastecimento é mais previsível. Para o transporte rodoviário de longa distância, a empresa considera que ainda é cedo, justamente pela limitação da infraestrutura.
Embora não tenha revelado datas para o lançamento, o vice-presidente garantiu que os testes estão em andamento no Brasil. A marca avalia tanto soluções próprias quanto possíveis parcerias, a exemplo do que já faz em outros mercados.
Segundo Ferrarez, na China, por exemplo, a Mercedes desenvolve um Actros a gás em conjunto com a Cummins, enquanto na Europa os estudos também avançam. “Queremos estar prontos o quanto antes para oferecer ao cliente a alternativa mais adequada, seja elétrica, hidrogênio, biodiesel ou gás”, concluiu o executivo.
Aposta na alternativa do gás no início da década de 1990
Essa, porém, não é a primeira vez que a Mercedes-Benz aposta no gás como alternativa mais limpa ao diesel no Brasil. No início da década de 1990, a montadora desenvolveu um motor movido integralmente a GNV, impulsionada por uma lei da Prefeitura de São Paulo que previa a substituição completa da frota urbana da cidade por veículos a gás.
A iniciativa, no entanto, esbarrou em dois obstáculos: a ausência de uma rede de abastecimento adequada e as dificuldades técnicas no mercado de usados, já que a conversão de volta para o diesel era cara e pouco viável.
Atualmente as empresas as fabricantes de caminhões que tem investido em veículos a GNV/Biometano são a Scania e a Iveco. Entre o início das vendas, em 2019 e agosto e meados desse ano, a fabricante sueca já entregou mais de 1.500 unidades no mercado brasileiro.
Caminhões a GNV/Biometano já em produção no Brasil
A principal vantagem do gás como combustível para o setor de transporte é a redução significativa de emissões. Comparados aos veículos a diesel, os movidos a GNV emitem cerca de 15% menos dióxido de carbono (CO2). Se o combustível for o biometano, essa redução pode chegar a 90% (do poço à roda), já que o biometano é um gás renovável produzido a partir de resíduos orgânicos.
Caminhões a GNV/Biometano em produção no Brasil
Desde 2019, a Scania atua na produção e venda de caminhões movidos a gás natural veicular (GNV) e/ou biometano no Brasil. A abordagem da empresa visa provar a viabilidade econômica e ambiental dos veículos a gás no país, mostrando que eles oferecem desempenho e autonomia comparáveis aos caminhões a diesel, mas com custos operacionais potencialmente menores e emissões reduzidas.
Atualmente, a linha Scania de caminhões a gás da contempla pelo menos 6 opções, com motores a partir de 9 litros e potências de 280 a 460 cv. A gama de caminhões vai desde veículos rígidos a cavalos mecânicos com diferentes configurações de eixo. A fabricante sueca já entregou mais de 1.500 unidades no mercado brasileiro.
A Iveco, por sua vez, entregou um lote de S-Way NG (a GNV/biometano) para o Grupo Cetric, para operar no transporte de resíduos. A montadora negociou 28 caminhões já entregues ao cliente, todos equipados o motor FPT Cursor 13, de 460cv. Os veículos são equipados com cilindros com capacidade total para 960 m³ de gás.
“Acreditamos muito no gás, natural e biometano, como a melhor opção de combustível de transição para o diesel. Nesse sentido, temos o S-Way NG e o Tector NG atuando em operações mistas e rodoviárias”, diz Marcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina.
Fonte: Portal O Carreteiro









