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A Bridgestone apresenta novo pneus destinado ao transporte rodoviário de carga. Trata-se do R289, projetado para operações em rodovias pavimentadas de curta, média e longa distância.

De acordo com Pedro Silva, gerente de marketing e planejamento de produtos para pneus comerciais da companhia, o objetivo do lançamento é atender à principal demanda das transportadoras de redução de custos operacionais.

“O transportador precisa de mais eficiência. A indústria tem o desafio de agregar valor e entregar soluções que reduzam o custo operacional total da operação”, afirma.

Indicado para eixos direcionais, livres e também para aplicações de tração moderada em caminhões e ônibus rodoviários, o novo modelo foi desenvolvido com foco em alta performance, durabilidade e maior potencial de recapagem, fatores que impactam diretamente o custo por quilômetro (CPK), indicador fundamental na gestão de frotas.

Entre os avanços técnicos estão um novo desenho de banda de rodagem e compostos de borracha aprimorados. Segundo a fabricante, o R289 oferece até 5% mais quilometragem em comparação com o modelo anterior, além de maior resistência ao desgaste irregular.

“O produto traz um pacote completo de tecnologias que busca aumentar a performance e a durabilidade da carcaça, o que também contribui para ampliar o índice de recapabilidade”, explica Silva.

Outro destaque é a tecnologia Cooling Fin, aplicada na região do talão do pneu. O recurso ajuda a reduzir a temperatura de operação durante o uso, fator que contribui para preservar a estrutura da carcaça e prolongar sua vida útil.

“O foco é olhar para o ciclo completo do pneu. Não é apenas a primeira vida, mas todo o potencial de uso ao longo das recapagens”, destaca o executivo.

Bridgestone apresenta novo pneu

Nesse sentido, o modelo conta ainda com garantia de carcaça até a terceira recapagem realizada dentro da rede Bandag, reforçando a estratégia da empresa de ampliar o ciclo de vida total do produto.

O R289 também incorpora a tecnologia ENLITEN, plataforma de desenvolvimento da Bridgestone voltada à melhoria de desempenho e eficiência. Inicialmente, o pneu está disponível na medida 295/80R22.5, com previsão de ampliação do portfólio nos próximos anos.

Mercado de pesados é o mais relevante 

O mercado brasileiro de pneus para caminhões vive um momento de expansão, impulsionado pelo crescimento da frota de veículos pesados e pelo aumento da atividade logística no país. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relevantes, como a entrada crescente de pneus importados e mudanças no equilíbrio entre pneus novos e recapados.

Segundo Marco Aoki, diretor comercial da Bridgestone, a evolução da frota brasileira tem puxado especialmente a demanda por pneus destinados aos caminhões mais pesados.

“A frota de caminhões e veículos pesados vem crescendo ano a ano. Observamos um avanço importante principalmente nos modelos mais pesados, os chamados classe 8, que são utilizados nas operações de longa distância”, afirma.

Esse movimento reforça a relevância do segmento rodoviário dentro do mercado nacional. Atualmente, cerca de 70% da demanda por pneus de carga no Brasil está concentrada no transporte rodoviário, principal modal logístico do país.

Apesar do crescimento do mercado, Aoki destaca que boa parte dessa expansão vem sendo ocupada por pneus importados.

“O mercado de pneus de carga cresce, mas grande parte desse crescimento está associado aos importados. Em muitos casos, esses produtos apresentam menor quilometragem média e menor índice de recapabilidade, o que acaba aumentando o custo por quilômetro para o transportador”, explica.

Outro efeito observado é a redução da disponibilidade de carcaças adequadas para recapagem, etapa importante para prolongar a vida útil dos pneus.

“A matéria-prima do pneu recapado é a carcaça. Se ela não tem qualidade suficiente para ser reformada, o mercado de recapagem acaba diminuindo”, diz o executivo.

Mesmo assim, o Brasil segue sendo um dos mercados mais fortes do mundo em recapagem, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Indústria pede mais igualdade nas regras de mercado

Além dos desafios tecnológicos e comerciais, o setor de pneus também enfrenta um debate crescente sobre as condições de concorrência no mercado brasileiro.

Para Lafaiete Oliveira, diretor geral da Bridgestone no Brasil, o problema não está na importação em si, mas nas diferenças nas regras aplicadas entre produtos fabricados no país e pneus trazidos do exterior.

“A Bridgestone está presente em mais de 150 países e somos competitivos globalmente. O que defendemos no Brasil é equidade no ambiente de negócios”, afirma.

Segundo ele, a indústria nacional realizou investimentos significativos nos últimos anos apostando no crescimento do mercado.

“Nós investimos cerca de R$ 1 bilhão na planta de Santo André e mais R$ 1 bilhão na fábrica de Camaçari. São investimentos feitos acreditando no fortalecimento da indústria e do mercado brasileiro.”

Um dos pontos levantados pela companhia diz respeito às obrigações ambientais. As fabricantes nacionais são responsáveis pela logística reversa dos pneus vendidos, garantindo a destinação adequada dos produtos após o uso.

“A indústria nacional cumpre rigorosamente metas ambientais. No ano passado foram cerca de R$ 85 milhões investidos nesse sistema. O problema é que parte dos importadores não cumpre essas mesmas obrigações”, afirma.

De acordo com o executivo, a discussão no setor não envolve barreiras comerciais, mas sim garantir que todos os participantes do mercado sigam as mesmas regras.

“O pneu é um item de segurança. Por isso continuamos investindo em tecnologia, qualidade e inovação. Mesmo em um cenário desafiador, a empresa segue avançando e trazendo para o Brasil as tecnologias mais modernas que temos no mundo”, conclui.

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Fonte: Portal O Carreteiro

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