
A BorgWarner completa esse ano 50 anos de Brasil e com expectativa de fechar com aumento de 25% em seu faturamento. Para a diretora geral, Melissa Mattedi, 2025 é um bom momento para a empresa principalmente diante de um cenário econômico desafiador.
“É o nosso ano de ouro. O fato de termos produtos para a linha leve e pesada nos ajuda a passar por esses momentos de instabilidade com um pouco mais de tranquilidade. Tivemos um aumento na demanda de turbos para carros de passeio e redução na linha de pesados”, explicou.
No entanto, a empresa mantém uma postura cautelosa diante do cenário econômico global. Questões como guerras, tarifas internacionais e oscilação de demanda em setores como o agronegócio geram volatilidade nos volumes de produção, especialmente no mercado de caminhões.
Na fábrica de Itatiba, interior de São Paulo, 68% da produção é dedicada para a produção de componentes para veículos leves e 32% para pesados. O curioso é que no início das operações no Brasil essa relação era diferente, sendo 75% para pesados e 25% para leves. Mattedi explica que essa relação começou a mudar em 2015 após a entrada da Stellantis na cartela de clientes.
Para o próximo ano, a expectativa é de estabilidade, acompanhando o ritmo mais lento do setor. No entanto, a empresa avalia que o governo deve buscar mecanismos para manter o mercado aquecido, evitando retrações em anos pré-eleitorais.
“As empresas estão cautelosas não só pelos juros, mas pelo cenário de incerteza. Ainda assim, continuamos confiantes no potencial da região. Há espaço, há demanda e há oportunidades claras para novos projetos. Além disso, no Brasil, o uso do turbo cresce, e temos um enorme espaço para avançar. Hoje, cerca de 51% dos veículos novos utilizam turbocompressor, bem abaixo dos aproximadamente 70% da Europa”, disse.
Para a diretora, a chegada de veículos leves híbridos de marcas asiáticas abre uma nova janela de oportunidade para elevar essa participação e, consequentemente, para ampliar a produção na planta da BorgWarner em Itatiba.
A executiva adiantou também que até o final de 2025 será divulgado uma novidade em pesados relacionado a uma nova montadora. Vale destacar que a fabricante atende boa parte das montadoras com exceção da DAF e a chinesa Foton.
BorgWarner x descarbonização
Segundo a companhia, o foco das montadoras na América do Sul vem sendo a descarbonização, e não necessariamente a eletrificação total. Nesse contexto, o turboalimentador se mantém essencial, já que contribui para melhor eficiência energética, redução de emissões, menor consumo de combustível e maior potência, inclusive em motores menores. O turbo também está presente em veículos híbridos, adequando-se a diferentes arquiteturas de motorização.
Além dos turbos, a BorgWarner destaca que possui um portfólio amplo e já preparado para atender às transformações do setor. Entre os produtos, estão sistemas eletrônicos para gestão térmica de baterias , responsáveis por manter a temperatura ideal de funcionamento e embreagens viscosas aplicadas tanto em ônibus quanto em caminhões.
Apenas dentro da divisão local de TTD (Turbo Technologies Division), já há pelo menos seis linhas de produtos com potencial de produção no Brasil. Outras divisões globais da BorgWarner também possuem soluções aplicáveis ao mercado sul-americano.
A empresa vê no país um ambiente estratégico já que possui estrutura fabril bem localizada, capacidade instalada e espaço disponível para expansão. O que falta é a validação de novos projetos pelas montadoras, o que pode viabilizar a nacionalização de componentes atualmente trazidos de outras unidades globais.
Fonte: Portal O Carreteiro









