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Fenabrave projeta crescimento de 3,5% nas vendas de caminhões em 2026, com 114.752 unidades emplacadas, ante 110.873 em 2025. Embora o avanço seja moderado, a entidade avalia que o resultado ocorre sobre uma base historicamente baixa. O que pode abrir espaço para uma recuperação mais robusta ao longo do ano, especialmente no segmento de caminhões extrapesados.

Segundo o 1º vice-presidente da Fenabrave, Sérgio Zonta, o patamar atual ainda está distante do potencial do mercado. “O Brasil já emplacou cerca de 170 mil caminhões. No ano passado, ficamos próximos de 110 mil unidades. Portanto, qualquer crescimento sobre essa base já indica mudança de tendência”, afirma.

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Crédito do Renovar impulsiona o extrapesado

Além disso, a liberação de R$ 10 bilhões em crédito pelo BNDES, por meio do programa Move Brasil, fortalece a perspectiva positiva para o setor. As linhas oferecem juros entre 13% e 14% ao ano, com seis meses de carência e prazo de até cinco anos, condições significativamente mais atrativas do que as taxas praticadas no mercado, hoje entre 25% e 28% ao ano.

Nesse contexto, a Fenabrave avalia que o transportador deve retomar o foco na compra do cavalo-mecânico, sobretudo porque os extrapesados respondem por cerca de 50% dos emplacamentos de caminhões no País. Em 2025, esse segmento sofreu uma queda de 22%. Ou seja, reflexo da retração do crédito e do adiamento de investimentos.

“Com juros menores, o empresário do pesado tende a antecipar a decisão de compra. Por isso, acreditamos que esse crescimento de 3,5% pode ser maior ao longo do ano”, diz Zonta.

Caminhões refletem a economia real

Ainda segundo o executivo, o desempenho do setor acompanha diretamente o ritmo da economia. Hoje, os caminhões respondem por 60% a 65% do transporte de todas as riquezas produzidas no Brasil. “O caminhão tem papel vital em toda a cadeia econômica. Quando a economia reage, ele reage junto”, destacou.

No entanto, essa leitura setorial convive com um ambiente macroeconômico mais restritivo, como aponta Tereza Fernandes, sócia da TF Consultoria, durante a coletiva da Fenabrave.

Crescimento econômico perde força em 2026

Do ponto de vista macroeconômico, Tereza Fernandes avalia que 2026 será um ano de crescimento mais fraco. Nesse sentido, segundo a economista, o PIB deve avançar entre 1,3% e 1,5%, abaixo do ritmo observado em 2025, quando a projeção ainda a ser divulgada é de encerrar com alta próxima de 2% a 2,2%.

“O crescimento continua vindo do agronegócio, da indústria extrativa e de serviços. Já a indústria de transformação deve ficar próxima de zero ou ligeiramente negativa”, explica. Para ela, a construção civil também começa a desacelerar de forma mais intensa, o que limita um impulso adicional sobre a demanda por veículos.

Juros altos, crédito travado e inadimplência elevada

Além disso, Tereza destaca que a taxa Selic elevada, que encerrou 2025 em 15%, segue como um dos principais entraves. “Não acreditamos em redução de juros agora em janeiro. Se vier algum corte, deve ocorrer a partir de março e de forma muito suave”, diz.

Com isso, o crédito permanece pressionado. Dados do Banco Central mostram que a expansão do crédito, que crescia mais de 30% em 2024, desacelerou para perto de zero no fim de 2025. “Essas variáveis, crédito fraco, inadimplência alta e quadro fiscal, são determinantes para entender o mercado automotivo em 2026”, avalia.

Fenabrave projeta alta de 3,5% nas vendas de caminhões em 2026
As vendas de ônibus no Brasil vão avançar neste ano

Ônibus avançam e implementos seguem como desafio

No segmento de ônibus, a Fenabrave projeta crescimento de 3% em 2026, totalizando 29.709 unidades. Sobretudo, impulsionado por faturamentos remanescentes do programa Caminho da Escola. Em 2025, o setor encerrou com 28.844 vendas.

Já o mercado de implementos rodoviários deve crescer apenas 2%, com 72.450 unidades, ante as 71.030 vendas em 2025. O crescimento tímido é pressionado pela priorização do cavalo-mecânico nas decisões de compra do empresário de transporte. Mas também pela exclusão do segmento das linhas de crédito do Move Brasil.

Nesse sentido, o 1º vice-presidente da Fenabrave diz que a entidade começa a conversar com o governo federal para incluir o segmento. “Precisamos avançar junto ao governo para incluir os implementos no financiamento”, reforça Zonta.

Fonte: Portal O Carreteiro

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