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A Mercedes-Benz Trucks destacou sua participação na IAA Transportation 2026, em Hannover, na Alemanha, para mostrar que o caminhão do futuro não terá apenas uma forma de propulsão. A fabricante expôs a força de sua marca com a apresentação de modelos elétricos, a hidrogênio, uma nova geração de trem de força com motor a diesel e sistemas de segurança entre outras tecnologias para os próximos anos.

Mercedes-Benz eActros 600
O eActros 600 já cumulou mais mais de 160 milhões de quilômetros em operações com clientes

Por trás de todas essas novidades está uma preocupação de interesse do motorista de caminhão. “Nosso trabalho é oferecer aos clientes as soluções certas para alcançar isso”, afirmou Achim Puchert, CEO da Mercedes-Benz Trucks, durante encontro com jornalistas brasileiros na IAA Transportation 2026, realizada em Hannover, Alemanha.

Para o executivo, a tecnologia precisa deixar de ser apenas uma demonstração e mostrar resultados na operação. Por isso, conforme afirmou, a Mercedes-Benz Trucks trabalha com diferentes alternativas de acordo com o tipo de transporte, distância percorrida e infraestrutura disponível.

Mercedes-Benz Trucks prepara elétrico para altos volumes

Entre os destaques apresentados em Hannover oela fabricante está o eActros Lowliner, desenvolvido para operações de transporte de alto volume. O caminhão aproveita a tecnologia elétrica do eActros 600, mas recebe chassi rebaixado para permitir o uso de semirreboques do tipo megatrailer para aproveitar ao máximo o limite de altura do implemento.

A primeira configuração será 4×2, com entre-eixos de 4.000 mm, cabine de 2,50 metros de largura e alta capacidade de baterias. Com isso, o conjunto pode utilizar semirreboques com altura interna de até três metros sem ultrapassar o limite legal na Europa.

eActros Lowliner
eActros Lowliner 4×2 pode operar com conjuntos para cargas de volume. Modelo entra em produção até meados de 2017

O eActros Lowliner utiliza conjuntos de baterias LFP de 207 kWh cada e pode receber dois ou três pacotes, chegando a 621 kWh na configuração de maior capacidade. E a autonomia pode chegar a aproximadamente 500 quilômetros, dependendo da configuração do caminhão e das condições da operação.

A produção em série está prevista para começar no segundo trimestre de 2027, na fábrica de Wörth, na Alemanha. As encomendas para os mercados europeus e outros mercados internacionais começaram em setembro, durante a IAA.

A Mercedes-Benz Trucks também apresentou números da experiência acumulada com o eActros 600. Desde o lançamento comercial, no fim de 2024, o modelo já percorreu mais de 160 milhões de quilômetros em operações com clientes, segundo a fabricante.

Mercedes-Benz Trucks leva hidrogênio para a estrada

Outra aposta da marca para o transporte pesado é o NextGenH2 Truck. O caminhão utiliza hidrogênio líquido em célula de combustível e foi desenvolvido principalmente para operações nas quais é necessário o caminhão percorrer longas distâncias.

A Mercedes-Benz Trucks pretende colocar aproximadamente 100 unidades em operação real na Alemanha a partir do fim de 2026. A primeira empresa a utilizar o modelo, em regime de testes, será a Dachser, gigante alemã do transporte e logística.

Actros GENH2 com tecnologia de hidrogênio
Diferente do eActros 600 movido a baterias elétricas, o GENH2 utiliza a tecnologia de célula de combustível (hidrogênio)

A autonomia do modelo informada pela fabricante supera 1.000 quilômetros. A ideia é utilizar o hidrogênio como complemento aos caminhões elétricos a bateria, especialmente no transporte rodoviário de longa distância.

Na prática, a Mercedes-Benz trabalha com uma divisão de tarefas entre as tecnologias. O caminhão elétrico pode atender melhor operações nas quais a rota e os pontos de recarga são conhecidos. Já o hidrogênio aparece como alternativa para aplicações que exigem maior autonomia. Porém, tanto uma tecnologia quanto a outra dependem ainda de uma maior infraestrutura de recargqa e de abastecimento, respectivamente.

Mercedes-Benz Trucks aposta também no motor diesel

Quem imaginava que a chegada dos caminhões elétricos significaria o fim rápido do diesel encontrou outra realidade na IAA. Isso porque a Mercedes-Benz Trucks apresentou o Powerliner, nova geração de trem de força destinada ao transporte pesado de longa distância. O conjunto reúne motor, transmissão e eixo e foi desenvolvido para aumentar a eficiência mantendo potência e torque.

Novo trem de força Lowliner também foi apresentado na IAA Transportation
A Mercedes-Benz também apresentou na IAA Transportation 2026 o seu novo trem de força com motor a diesel

Os novos motores OM 470 e OM 471 fazem parte de uma plataforma global de propulsores pesados da Daimler Truck. A produção ocorre na fábrica de Mannheim, na Alemanha.

A decisão de continuar investindo no diesel está relacionada também ao ritmo de renovação da frota. Segundo dados apresentados pela Mercedes-Benz Trucks, os caminhões pesados elétricos a bateria representaram apenas 2% do mercado europeu em 2025. Para Puchert, portanto, não se trata simplesmente de escolher entre diesel e eletrificação. Cada tecnologia terá de encontrar seu espaço de acordo com a operação.

“O caminhão está resolvido”

Durante o encontro com jornalistas brasileiros, Puchert resumiu de maneira direta o estágio atual da eletrificação.“O caminhão está resolvido.” Na avaliação do executivo, já existem veículos capazes de cumprir diversas operações de transporte sem emissões locais. O problema agora está na infraestrutura, disponibilidade de energia e custo da eletricidade.

Essa questão pesa ainda mais no transporte de longa distância. Um caminhão que percorre centenas de quilômetros por dia precisa encontrar pontos de recarga adequados ao longo da rota, capazes de atender não apenas o veículo, mas também a necessidade de tempo do motorista e da operação.

eActros especial de 130 anos
eActros especial de 130 anos, com pintura especial, exposto ao do primeiro caminhão inventado por Gottlieb Daimler

No transporte urbano, a situação é diferente. Uma frota que retorna todos os dias à mesma garagem consegue planejar melhor os horários de recarga. Por isso, a Mercedes-Benz defende a participação conjunta de fabricantes de caminhões, empresas de energia, operadores de infraestrutura e governos.

Segurança na estrada

A tecnologia apresentada pela Mercedes-Benz Trucks não está concentrada apenas na propulsão. A fabricante também mostrou novas funções de segurança e assistência ao motorista. Uma delas é o Active Cross Traffic Assist, desenvolvido para ajudar em situações nas quais veículos ou motocicletas cruzam a trajetória do caminhão e existe risco de colisão.

Outro destaque é o Active Sideguard Assist 3, que amplia a proteção durante conversões. O sistema passa a monitorar os dois lados do veículo e pode atuar sobre os freios em determinadas situações. A fabricante também evoluiu o Active Drive Assist 3, sistema que oferece assistência à condução e permite avançar na direção parcialmente automatizada.

Ambas são tecnologias que podem ter impacto direto na rotina do motorista, principalmente em situações de trânsito urbano, manobras e deslocamentos em rodovias com grande movimento.

Mercedes elétricos no Brasil

A Mercedes-Benz do Brasil já realiza testes com caminhões elétricos no Brasil para entender quais operações apresentam condições adequadas para esse tipo de veículo. Por enquanto, porém, não há uma data anunciada para o início das vendas em grande escala.

A empresa adota uma postura diferente da de fabricantes que já comercializam caminhões elétricos no mercado brasileiro. Para Puchert, não basta colocar o veículo à venda. É preciso preparar toda a estrutura que acompanha o caminhão. Isso inclui treinamento da rede, manutenção, peças, recarga e suporte à operação.

O executivo destacou ainda que a relação entre Brasil e Europa está cada vez mais próxima dentro da estratégia global da empresa. Um exemplo é o Actros, que já utiliza no mercado brasileiro tecnologias relacionadas ao motor OM 471. Lembrou ainda que a fabricante também ampliou a oferta de extrapesados no País com o Axor.

Concorrência chinesa 

A entrada de fabricantes chineses no mercado de caminhões também apareceu na conversa com Puchert. O executivo reconheceu que as marcas chinesas ganharam velocidade e passaram a oferecer produtos com preços competitivos e maior conteúdo tecnológico. Para ele, a concorrência deve ser encarada como parte da evolução do mercado.

Para o transportador brasileiro, esse movimento significa mais opções de produtos e tecnologias no mercado. Ao mesmo tempo, aumenta a importância de fatores como disponibilidade de peças, assistência técnica, custo de manutenção e valor de revenda na hora de escolher um caminhão.

Fonte: Portal O Carreteiro

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