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Em vez de tirar caminhões antigos de operação, o Grupo Sada aposta no retrofit de caminhões para dar uma nova vida a veículos que ainda apresentam condições de trabalho. Em parceria com a MWM, a empresa converteu 35 cegonhas Euro 3 para GNV (gás natural veicular). Além da mudança do combustível, os veículos passam por revisão e modernização antes de retornar às operações.

luisa Retrofit de caminhões

A estratégia combina dois objetivos: reduzir as emissões da frota e aproveitar veículos que ainda podem trabalhar por vários anos. Segundo Luísa Medioli, diretora de Sustentabilidade do Grupo Sada, a empresa avaliou diferentes alternativas antes de optar pelo GNV. “Entendemos que o GNV seria uma opção válida, acessível, sobretudo quando comparado ao diesel. E entendemos também que poderíamos, em parceria com a MWM, dar uma sobrevida aos nossos veículos mais antigos”, explica.

Retrofit de caminhões vai além da troca do combustível

O retrofit de caminhões não envolve apenas a conversão do motor para outro combustível. Antes de voltar para a operação, cada veículo passa por uma revisão mais ampla, que inclui sistemas como freios e também a modernização da cabine.

A proposta, portanto, é entregar um caminhão em melhores condições para enfrentar a rotina de trabalho. De acordo com Luísa, a expectativa é que os veículos convertidos tenham uma sobrevida de aproximadamente dez anos.

Além disso, os motoristas perceberam mudanças durante a operação, principalmente relacionadas ao nível de ruído. “Não é só o retrofit e a sobrevida do motor. A gente também dá toda uma nova vida para aquele caminhão e para a cabine”, afirma.

Caminhões a GNV reduzem emissões

Os primeiros resultados também mostram impacto nas emissões. Segundo o Grupo Sada, os caminhões movidos a GNV apresentam redução média de aproximadamente 15% nas emissões, chegando a 17% em algumas rotas.

Além da questão ambiental, a empresa também acompanha o desempenho relacionado ao consumo de combustível.

“Em algumas frotas a gente consegue comprovar cerca de 17% de redução das emissões. É um número bastante significativo”, destaca a executiva.

No entanto, a operação com GNV exige planejamento. A autonomia dos veículos fica em torno de 350 quilômetros, o que levou o grupo a direcionar inicialmente os caminhões convertidos para operações de menor distância.

Autonomia define onde o GNV pode rodar

Por causa da autonomia, os caminhões convertidos atuam principalmente em operações de puxada, com trajetos de aproximadamente 20 a 30 quilômetros. A empresa também utiliza postos parceiros ao longo dos percursos.

Além disso, o Grupo Sada passou a contar com uma estrutura própria de abastecimento em São Bernardo do Campo (SP). A instalação deve facilitar a expansão da operação com GNV e ampliar as possibilidades de utilização dos veículos convertidos.

Atualmente, o grupo conta com 35 cegonhas movidas a GNV e já trabalha para ampliar essa frota.

A empresa atende cerca de 70% das montadoras instaladas no Brasil e é considerada o maior operador de logística automotiva da América Latina. O transporte de veículos zero quilômetro, realizado principalmente por cegonhas, continua como principal negócio da divisão de transporte e representa mais de 80% do faturamento da área.

Montadoras também pressionam por caminhões mais limpos

A busca por alternativas de menor emissão não parte apenas da própria empresa. Como prestador de serviços para as montadoras, o Grupo Sada participa das emissões de Escopo 3 desses clientes e acompanha as metas de descarbonização estabelecidas por eles.

Por isso, as montadoras acompanham a evolução da frota a GNV e já questionam a empresa sobre a entrada de novos caminhões com combustíveis de menor impacto ambiental.

As operações com GNV já contam com remuneração prevista nos contratos. Para outras tecnologias, entretanto, o Grupo Sada adota uma estratégia de teste antes de apresentar os resultados aos clientes.

A lógica é simples: testar, medir o desempenho e, depois, avaliar a expansão da solução.

Grupo Sada testa biometano em caminhões

O próximo passo envolve o biometano. Ainda neste ano, parte da frota que atualmente utiliza GNV deverá operar com o combustível renovável.

Dos 25 caminhões que trabalham em Minas Gerais, cinco serão selecionados para o teste com biometano. Dessa maneira, a empresa poderá comparar os resultados da operação e avaliar o potencial de ampliação da tecnologia.

O grupo também pretende testar biodiesel em uma operação no Sul do País. A escolha das regiões considera, principalmente, a disponibilidade de infraestrutura e as características de cada operação.

“A gente entende que o GNV é um pontapé inicial. Mas a gente sabe que o Brasil é multienergético”, afirma Luísa.

GNV, biometano, biodiesel e eletrificação

Por isso, o Grupo Sada acompanha diferentes alternativas para a transição energética, entre elas GNV, biometano, biodiesel, HVO e eletrificação.

Os caminhões elétricos ainda não fazem parte da frota pesada da empresa. Porém, a tecnologia pode entrar em operações específicas, principalmente em trajetos mais curtos e onde exista infraestrutura adequada para recarga.

Assim, a empresa trabalha com a perspectiva de uma matriz energética diversificada, em vez de apostar em uma única tecnologia.

Retrofit e renovação da frota caminham juntos

Embora o retrofit de caminhões permita prolongar a vida útil dos veículos, o Grupo Sada mantém também uma estratégia de renovação da frota.

Atualmente, 93% dos veículos próprios são Euro 5, Euro 6 ou movidos a GNV. Somente no ano passado, a empresa investiu R$ 106 milhões na compra de caminhões Euro 6.

Nesse cenário, retrofit e renovação não competem entre si. Enquanto os veículos mais antigos e em boas condições podem receber nova motorização e outros componentes, a aquisição de caminhões novos incorpora tecnologias mais recentes.

Além da redução de emissões, a modernização pode contribuir para diminuir custos de manutenção e prolongar o período de utilização dos veículos.

A frota própria do Grupo Sada soma atualmente 619 veículos. A empresa também trabalha majoritariamente com terceiros, envolvendo mais de 3 mil motoristas.

Por isso, encontrar soluções que conciliem redução de emissões, custo, disponibilidade de combustível e infraestrutura continua sendo um dos principais desafios da transição energética no transporte rodoviário.

Sustentabilidade vai além do caminhão

A estratégia ambiental do Grupo Sada também envolve outras áreas do negócio. A empresa mantém cerca de 14 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto e informa ter sequestrado aproximadamente 3 milhões de toneladas de carbono no ano passado.

O grupo também possui duas usinas de etanol, em Minas Gerais e Goiás, que estão sendo preparadas para operar no modelo flex, utilizando cana-de-açúcar e milho.

Com a expansão, a expectativa é elevar a produção de 130 milhões para 380 milhões de litros por ano.

Outra frente está na reciclagem de veículos. Inaugurada em fevereiro deste ano, a IGAR, em Minas Gerais, possui cinco linhas de desmontagem e pode receber veículos leves e pesados.

Durante o processo, itens como vidros, catalisadores, fluidos e pneus são retirados antes de o veículo seguir para a trituração. A empresa trabalha com a meta de destinar 100% dos materiais resultantes do processo.

Caminhão antigo também pode fazer parte da transição

A reciclagem fecha um ciclo que começa ainda na produção e passa pela utilização dos veículos. O Grupo Sada atua em diferentes etapas da cadeia automotiva, incluindo fundição, usinagem de componentes, logística, distribuição, produção de etanol e reciclagem.

Nesse contexto, o retrofit aparece como uma alternativa intermediária entre manter um caminhão antigo sem atualização e substituí-lo por um veículo novo.

Para a empresa, a possibilidade de modernizar caminhões que ainda apresentam boas condições de operação permite prolongar a vida útil da frota e reduzir emissões, enquanto a renovação incorpora veículos com tecnologias mais recentes.

Ao mesmo tempo, retirar de circulação veículos que chegaram ao fim da vida útil contribui para a segurança e para a renovação da frota brasileira.

Fonte: Portal O Carreteiro

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