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EBA - Empresa Brasileira de Armazenamento, Redex e Operações Logísticas
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Com exclusividade para o “Start da Semana” da MundoLogística, a executiva falou sobre o impacto da chegada do 5G, a importância de aumentar o nível de digitalização nas empresas de logística e os benefícios da integração de sistemas

Por Christian Presa


“De um tempo para cá, o setor de logística está com um olhar bem diferente para a tecnologia” (Foto: Divulgação)

A tecnologia é um assunto inegavelmente presente e, no setor de logística, a atenção a esse tema é notada no aumento do uso de soluções. Segundo a pesquisa “Tendências em Logística 2021”, realizada pela Associação Brasileira de Logística (Abralog), essa é uma tendência crescente nas mais de 200 empresas entrevistadas, sobretudo pelo impacto causado pela pandemia de Covid-19.

Falar de tecnologia se tornou quase trivial. Mas, apesar disso, não é como se essa já fosse uma questão dominada pelas empresas de logística. No “Índice de Produtividade e Tecnologia” realizado pela TOTVS, em parceria com a H2L Soluções, foi constatado que o grau de produtividade tecnológica é de 0,38, em uma escala que vai de 0 a 1. Ao todo, 740 empresas – de embarcadores a prestadores de serviços logísticos – foram entrevistadas.

Esse cenário faz surgir alguns questionamentos: como ir além da superficialidade e fazer a tecnologia ser, de fato, uma realidade capaz de oferecer resultados factíveis? De que maneira a chegada de novos adventos, como a rede 5G, se encaixa nesse contexto?

“Existe um espaço muito grande para digitalização, mas a gente precisa trabalhar muito essa questão dentro das empresas”, destacou Angela Gheller, diretora de Produto e Ofertas no Segmento de Manufatura e Logística na TOTVS. No entanto, a executiva enfatizou a importância de fazer isso com método. “A tecnologia é um meio. Você tem que entender onde vai usá-la para obter ganhos, pois ela não é a estrela maior da sua operação”, disse.

Leia o “Start da Semana” da MundoLogística na íntegra!


MUNDOLOGÍSTICA: O advento do 5G é algo comemorado em todos os setores. No caso da logística, quais são os benefícios mais imediatos que essa tecnologia traz?

ANGELA GHELLER: De imediato, eu vejo a questão de tirar a latência se tem hoje. No Brasil, a gente tem muita latência de conectividade e [o 5G] já vai tirar esse primeiro problema, destravando uma série de tecnologias e de soluções que a gente ganha muito tempo falando em logística e em outros segmentos. Porque uma coisa é a teoria, que todo mundo entende e concorda. Mas, quando chega na prática, a gente tem problemas sérios de infraestrutura e isso acaba afetando as soluções. Então, em um primeiro momento, o 5G vai tirar essa latência que temos e, em segundo, vai nos possibilitar a velocidade de funcionamento de vários dispositivos por metro quadrado, o que vai baratear os serviços. Tudo o que falamos em tecnologia vai se tornar funcional. Hoje, as empresas precisam investir muito para poderem se beneficiar de algumas tecnologias, pois não é tão simples quanto parece ser, e o 5G trará toda essa revolução que está na nossa expectativa.

Há áreas onde o impacto do 5G já é conhecido, como a armazenagem. Mas existe alguma área da logística em que o 5G poderia impactar positivamente, mas o setor ainda não está consciente disso?

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Acho que o impacto será como um todo. Como você citou, a armazenagem é a parte que está mais no olhar, pois a movimentação de materiais acaba sendo o core da logística. Ou seja, o gerenciamento do pátio, a parte de agendamento, do uso de softwares para controlar tudo isso… tudo isso está sempre na nossa primeira visão. Mas eu diria que o impacto também ocorrerá na parte do caminhão para fora da indústria, na operação de transporte. É claro que existe uma jornada para a questão do 5G, mas entendo que toda a parte de acompanhamento e segurança de caminhão terá uma facilidade muito maior do se que hoje. Esse conjunto de coisas que citei na questão anterior também vão abrir oportunidades de software e soluções que ainda não temos hoje. Quando se fala de logística, nós temos soluções prontas, mas com a velocidade e a eliminação da latência que existe atualmente, nós conseguiremos, de fato, acompanhar as coisas e isso  trará outras necessidades que hoje ainda não aparecem. Isso acaba sendo, também, uma evolução que fará com que a gente veja oportunidades. A questão de dados é um exemplo. Hoje, falamos sobre ChatGPT e drive de dados, mas, com a velocidade do 5G e a evolução das soluções, nós vamos parar para pensar sobre como queremos que os dados nos ajudem. Seja com inteligência artificial ou mesmo com indicadores que tragam um diferencial para você estar um passo à frente do seu concorrente, pois isso ainda é difícil hoje. Para se ter os dados online e obter essa vantagem, é preciso dar um passo bem grande para trás que é relação à digitalização nas empresas. É aí que o negócio “pega”. A TOTVS fez uma pesquisa há um ano e meio, em parceria com a H2L, em que entrevistamos 740 empresas [metade sendo cliente da TOTVS], de embarcadores a prestadores de serviços logísticos, para entender qual era o grau de maturidade de digitalização nessas empresas. Foram avaliados dois pontos: o nível de internalização do uso de sistemas de gestão e quais eram os ganhos de performance a partir do uso desses sistemas. Em uma escala de 0 a 1, o setor de logística ficou em 0,38. É uma notícia ruim, pois deveríamos estar muito mais avançados. Mas, quando se analisa somente os prestadores de serviço, o indicador foi um pouco melhor, de 0,55, enquanto os embarcadores ficaram em 0,35. Existe um espaço muito grande para digitalização, mas a gente precisa trabalhar muito essa questão dentro das empresas. O 5G vai facilitar muito a tecnologia, inclusive de sistemas e toda a parte de sensores, pois é possível implementá-la mais rapidamente e, quando você tiver os dados digitalizados, haverá um grande salto nas empresas de coisas que hoje não é possível enxergar. O óbvio a gente consegue ver e saber que funciona, mas existem cenários que serão criados com o uso da digitalização. No caso do setor de manufatura, faz dez anos que falamos de manufatura 4.0 para o mercado e eu sempre brinco que “entra por um ouvido e sai pelo outro”. Todo mundo acha lindo e maravilhoso, mas, na prática,não é bem assim. Aí, veio a pandemia e as empresas tiveram que se reinventar. Hoje, a indústria está com outra visão e cobra de nós [empresas de tecnologia e software]. No caso do e-commerce, por exemplo, a indústria percebeu que pode ir direto no consumidor. É interessante essa mudança de cultura nas empresas. A gente ainda não tem esse cenário de você ter, por exemplo, 80% de digitalização no setor de logística de forma geral, mas existe muita oportunidade no mercado e a questão de dados é o nosso próximo desafio.

Você citou o Índice de Produtividade e Tecnologia (IPT) da TOTVS e essa média de digitalização, que é considerada ruim. Quais são as razões para o cenário ser dessa forma?

Existe um histórico no segmento de logística, que até dois ou três anos atrás era muito pulverizado. Cito o caso das transportadoras, que são o maior volume. O setor era formado por empresas familiares que, em algum momento, começaram a comprar mais caminhões e se tornaram pequenas e médias transportadoras. Além disso, é um mercado com um custo alto e uma margem bem pequena. E tem também um terceiro fator, com duas vertentes: a primeira é que as soluções queas empresas de tecnologia ofereciam eram muito complexas para o que as companhias precisavam, e a segunda é a questão cultural, pois as empresas não viam a necessidade [de investir em tecnologia]. Elas não viam a tecnologia como uma estratégia para aumentar a margem de lucro. É o que eu sempre digo: a tecnologia é um meio. Você tem que entender aonde vai usá-la para obter ganhos, pois ela não é a estrela maior da sua operação. Eu diria que, hoje, nós estamos vivendo o melhor momento quando se fala em tecnologia, de soluções para empresas e de facilidades para utilizar essas tecnologias. Quando a gente fala sobre as tecnologias do futuro, a gente percebe que as tendências são as mesmas de cinco ou seis anos atrás. Mas hoje dá para ver realmente a utilidade delas, no dia a dia. Há empresas utilizando inteligência artificial, drones no inventário e outras soluções que começam a se tornar realidade. Para fazermos disrupção, é necessário ter um fato que te faça mudar. Quando acontece algo como a pandemia de Covid-19, que muda toda a cultura do consumidor, a logística muda. A gente vê o mercado deixar de ser tão pulverizado, com empresas comprando empresas, por exemplo. Ainda é pulverizado, mas bem menos do que era anteriormente e isso se reflete na tecnologia. Hoje, as empresas cobram de nós [empresas de software] o que há de inovador, que seja fácil de usar e é considerado normal, mas que há dois anos não era. O cliente consegue visualizar isso dia a dia dele.

Essa diferença de nível de maturidade dos prestadores de serviços logísticos em relação aos embarcadores é somente por uma questão de necessidade ou você diria que há, também, uma tendência desse setor a olhar para tecnologia de uma maneira diferente?

De um tempo para cá, o setor de logística está com um olhar bem diferente para a tecnologia, sim. O segmento entendeu que ele precisa de diferenciais e cada empresa está fazendo seu dever de casa, que é ter uma jornada. Além de tecnologia, as empresas precisam de uma jornada de digitalização interna para saber o que será mudado nos processos. Isso é um fato bem interessante que temos presenciado  nas empresas. Nós, como TOTVS, estamos fazendo nosso papel de auxiliar isso e ainda bem que enxergamos isso antes da pandemia. Fizemos uma série de atualizações e desenvolvimentos disruptivos porque entendemos que isso seria necessário. Estamos, em paralelo, fazendo essa jornada ficar mais fácil. No caso das empresas de logística, elas já vêm com o olhar de que quer uma determinada solução porque está digitalizando a própria jornada. Essa é uma visão bacana que as empresas estão tendo, seja pela necessidade de hoje, com guerra [da Ucrânia], a pandemia [de Covid-19] e diversos fatores. A logística teve que “fazer milagre” nesse cenário e esse conhecimento que foi se adquirindo com essas experiências fez o olhar do setor para a tecnologia se tornar diferenciado. Dos segmentos em que atuo, eu considerava a logística um dos mais atrasados nesse quesito de maturidade da tecnologia, mas o setor simplesmente deu um salto e tem cobrado isso de nós.

Falando especificamente sobre o 5G, você falou no início da entrevista sobre infraestrutura e nós sabemos que o Brasil tem questões inúmeras em relação a isso. Pensando na aplicação dessa tecnologia, dá para dizer que isso seria um problema para que o 5G chegue em todos os lugares que deveria?

Sim. Primeiramente, a gente precisa entender qual será o empenho do governo para tudo isso, pois os leilões de 5G ainda estão acontecendo. Mas, hoje, o nosso problema é especificamente a conectividade. Quando falamos de campo, então… é um problema sério. Cada empresa acaba tendo sua solução caseira para poder atender a empresa. Isso vai ser um problema. Por outro lado, entendo também que não teremos escapatória. A gente precisa ter uma infraestrutura melhor, até pela cobrança que temos inclusive do consumidor. A utilização da internet como um todo pelos consumidores mudou muito o olhar crítico das pessoas. É uma cobrança natural e as empresas com certeza estão nessa cobrança junto com o governo. Entendo que isso será prioridade, haja visto pelas cidades onde a tecnologia 5G foi implementada. É claro que o 5G industrial será muito diferente, mas estou bem curiosa para ver o andar disso, pois a minha expectativa é bem grande.

Em termos de tecnologia, há uma discussão muito forte em torno de IA, Machine Learning, Big Data e outros recursos que a Logística 4.0 contempla. Essa possível dificuldade de o 5G   chegar em todos os lugares pode dificultar a implementação e o acesso a essas tecnologias?

Hoje nós já poderíamos usar todas essas tecnologias. O grande problema ainda é a digitalização nas empresas. Há muito a ser feito nas empresas para reestruturar processos e ter tudo digitalizado. No caso da Manufatura 4.0, por exemplo, uma parte da empresa usa o controle de um software e o chão de fábrica não usa nada. Então, como saber o que precisa ser comprado, o que há no estoque e se tem alguém que controla isso de alguma maneira? Você acaba tendo pontas soltas nas empresas. Hoje, já existiria um ganho muito grande, mesmo com a conectividade que temos, se houvesse esse passo na digitalização das empresas. Então, respondendo a sua pergunta, a questão do 5G trará muito mais facilidade para colocar essas tecnologias no ar, mas é preciso ter digitalização. Ela traz, inclusive, uma questão cultural que é muito importante. Não adianta falar de inteligência artificial porque, para usá-la, é preciso de dados e de ter uma pessoa com entendimento deles. É preciso entender essa dinâmica dentro de casa e a cultura ainda está muito atrás. Estamos trabalhando em uma solução de logística com tecnologia de ponta com nativo SaaS para atingir tudo que é público. Não será preciso ter um RP da TOTVS. Estamos levando soluções desacopladas e com amplitude que servem tanto para clientes pequenos quanto grandes empresas, de acordo com a complexidade da operação dele, e de forma que se diminua a quantidade de horas de implementações. Soluções mais antigas têm um tempo de implementação mais longo, então estamos investindo em soluções de ponta para facilitar isso, mas depende da cultura da empresa. Tem que haver um drive dos executivos dessas empresas de logística para que todos entendam o que é a digitalização. É preciso trabalhar esse passo dentro das empresas, além de ter soluções de tecnologia.

A TOTVS tem uma suíte logística destinada aos operadores logísticos e vocês enfatizam muito o uso integrado de soluções. Por que o uso de um conjunto de ferramentas como esse é importante em um contexto de maximização de resultados?

Porque a gente precisa ter um dado. Quando se fala em logística, a grande cobrança é você ter produtividade e cada vez mais otimização no seu custo. Como fazer isso sem utilizar a tecnologia adequada? Como identificar ganhos, gargalos e custos? Para fazer isso, é preciso que essas soluções estejam todas conectadas para consolidar as informações. Hoje, as empresas acabam tendo muitas soluções que não estão conectadas e, para ter essa integração, é uma grande dificuldade. A integração de soluções é o ponto mais difícil nas empresas de qualquer segmento, mas isso é necessário. À medida que você tiver simplicidade para ter menos soluções ou que elas estejam integradas, aí fica fácil pensar no que é preciso na sua atuação logística. Esse é o desafio.

Em relação a empresas como a TOTVS, como a chegada do 5G tende a impactar na criação e desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor de logística?

O 5G vai possibilitar que integremos, por exemplo, a nossa suíte logística com drones e outros dispositivos que a empresa queira utilizar de uma maneira bem mais fácil. A gente não consegue imaginar alguém em um armazém fazendo movimentação de material sem ter um smartphone na mão para saber onde tem que buscar mercadoria e que isso tenha, por exemplo, uma integração com o WhatsApp. Então, a utilização dos smartphones da forma como temos hoje facilitou isso. Hoje, é fácil propor que haja uma integração direta com o WhatsApp para você fazer uma coleta/entrega e fotografar para mandar direto para o sistema. Só que, nos sistemas, conforme a solução que você tem, não é uma coisa trivial de se fazer. Então, nós mudamos todas as tecnologias e soluções na TOTVS para justamente poder oferecer isso para o nosso cliente e, com a entrada do 5G, isso será ainda mais fácil tanto para o cliente utilizar as ferramentas quanto para nós em relação à integração.

Fonte: Mundo Logística

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