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Grupos que representam caminhoneiros autônomos estão montando chapas para lançar candidatos a deputado estadual e federal nas eleições de outubro. A ideia é oferecer nomes em pelo menos 20 estados. Metade da meta foi atingida.

Caminhoneiros candidatos eleições 2022

Presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, Plinio Dias explica que a iniciativa não segue orientação ideológica ou partidária. “Não tem direita, esquerda e centro. Não é ideologia, é defender a categoria.”

Os integrantes de uma possível “bancada do caminhão” estão ligados entre si por serem motoristas profissionais e pelo comprometimento com as pautas do grupo. A lista de reivindicações contém as bandeiras da greve de 2018: mudança na política de preços da Petrobras, piso mínimo no preço do frete, aposentadoria com 25 anos de contribuição previdenciária, unificação da documentação fiscal e melhoria dos pontos de parada nas estradas.

A iniciativa ocorre depois de os caminhoneiros verem desintegrado o poder de mobilização e pressão que demonstraram em 2018, data em que a greve da categoria parou o Brasil. A situação dos caminhoneiros voltou a ganhar corpo na semana passada, quando a Petrobras anunciou um aumento de 24,9% no preço dos combustíveis.

Dias explicou que a tentativa de eleger deputados estaduais e federais para recuperar esse poder contará com ações como colar adesivos dos candidatos em caminhões e visitas a postos nas rodovias brasileiras. A intenção é que os caminhoneiros tenham conhecimento de quem são os nomes comprometidos com as reivindicações.

O presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas afirma que hoje existe um único parlamentar identificado com a pauta dos caminhoneiros, o deputado Nereu Crispim (União-RS). “A gente precisa de mais, e quanto mais gente lutando, maior o poder que teremos.”

Chapas em 10 estados

O deputado está na articulação e conta que a primeira reunião foi realizada em 18 de setembro de 2021, em Brasília. Crispim disse que o evento serviu para definir as pautas que serão defendidas na campanha e qual será a linha de atuação. Ficou decidido que os candidatos com alguma identificação com um partido poderão seguir nesse caminho, mesmo que seja dentro de um partido de esquerda. “As bandeiras são apartidárias e ideológicas.”

Depois deste encontro, houve outros dois — o último ocorreu 15 dias atrás em Goiânia, e há mais dois programados até as eleições. Deste esforço, ficou acertada a composição de candidaturas a deputados federais e estaduais em 10 estados. Crispim afirmou que a situação está bem encaminhada em Mato Grosso e Espírito Santo.

Ele declarou que no Brasil existem 2 milhões de caminhoneiros, entre autônomos e celetistas. Apesar do número elevado de profissionais da categoria, Crispim ressaltou que não há expectativa de elegerem uma “enxurrada” de deputados estaduais e federais.

Ainda assim, a iniciativa é considerada importante porque marca uma posição política. Quem for eleito, verá os caminhoneiros organizados e trabalhará por suas pautas. O deputado avalia que hoje os grupos organizados da Câmara são a bancada evangélica e do agronegócio.

“As pautas dos caminhoneiros ficaram para trás. Alguns deputados se apresentaram como representantes da categoria, mas na ‘hora H’, correram da situação. Estão comprometidos com outras pautas e não colocarão em risco seus interesses.”

O deputado acrescenta que os parlamentares ligados ao agronegócio são numerosos e têm interesse na direção contrária dos caminhoneiros. A intenção é percorrer o mesmo caminho de articulação para ter força e fazer um contraponto em Brasília e nas Assembleias Legislativas.

Fonte: Portal de Notícias UOL (TAB UOL)

Fonte: Transvias.com.br

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